{"id":1251,"date":"2016-10-05T20:13:09","date_gmt":"2016-10-05T19:13:09","guid":{"rendered":"http:\/\/srlsampaense.com\/?page_id=1251"},"modified":"2020-10-28T10:30:36","modified_gmt":"2020-10-28T09:30:36","slug":"toponimia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/srlsampaense.com\/index.php\/toponimia\/","title":{"rendered":"Topon\u00edmia &#8211; S\u00e3o Paio de Grama\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p><strong>ANTECENDENTES DA TOPONIMIA<\/strong><br \/>\n(in:\u00a0<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/\">https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/<\/a>)<\/p>\n<p>Conhecida por Ordem Soberana de Malta, nunca deixando de exercer a voca\u00e7\u00e3o hospitalar de socorro aos carecidos e doentes como virtude cardeal de caridade ou amor que foi o motivo da sua funda\u00e7\u00e3o em 1099, quando alguns crist\u00e3os mercadores de Amalfi fundaram em Jerusal\u00e9m, sob a Regra de S. Bento e com a indica\u00e7\u00e3o de Santa Maria Latina, uma casa religiosa para recolha de peregrinos. Anos depois constru\u00edram junto dela um hospital que recebeu de Godofredo de Bouillon doa\u00e7\u00f5es que lhe asseguraram a exist\u00eancia, desligando-se da igreja de Santa Maria e passando a formar congrega\u00e7\u00e3o especial sob o Orago de S\u00e3o Jo\u00e3o Baptista. Em 1113, o Papa Pascoal II reconheceu-a Ordem de S\u00e3o Jo\u00e3o do Hospital e deu-lhe Regra pr\u00f3pria. Em 1120, o cavaleiro franc\u00eas Raimundo de Puy, nomeado Mestre Geral, acrescentou ao cuidado com os doentes o servi\u00e7o militar<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Em Portugal, a Ordem do Hospital manteve-se independente. N\u00e3o recebeu os bens da Ordem dos Templ\u00e1rios como pretendia o papa Clemente V, que habilmente o rei D. Dinis fez transferir para a Ordem de Cristo ent\u00e3o criada (1319). Tamb\u00e9m n\u00e3o foi incorporada na Coroa em 1551 com as Ordens de Avis, de Cristo e de Santiago, apesar da dignidade de Prior do Crato ser atribu\u00edda aos Infantes D. Lu\u00eds, filho de D. Manuel I, e mais tarde a seu filho D. Ant\u00f3nio, mantendo assim o car\u00e1cter singular e o ep\u00edteto de \u201cSoberana\u201d que lhe foi atribu\u00eddo quando passou a designar-se de Malta<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[8]<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_1652\" style=\"width: 195px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1652\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1652\" src=\"http:\/\/srlsampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brasa\u00f5-OHP.jpg\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/srlsampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brasa\u00f5-OHP.jpg 500w, https:\/\/srlsampaense.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brasa\u00f5-OHP-238x300.jpg 238w\" sizes=\"(max-width: 185px) 100vw, 185px\" \/><p id=\"caption-attachment-1652\" class=\"wp-caption-text\">Antigo Bras\u00e3o de Armas de Oliveira do Hospital<\/p><\/div>\n<p>Isso significa que a Comenda de Oliveira do Hospital e a Fazenda de Lagos da Beira mantiveram-se sempre na posse dos cavaleiros hospital\u00e1rios at\u00e9 praticamente 1834. Por este motivo, ainda em 1910 a Cruz de Malta figurava no Bras\u00e3o de Armas na fachada do Pa\u00e7o do Concelho de Oliveira do Hospital, como descreve o dr. Ant\u00f3nio de Vasconcelos num precioso e raro estudo<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Um dos santos car\u00edssimos aos hospital\u00e1rios foi\u00a0<em>S\u00e3o Paio<\/em>\u00a0(Pelaio, Pel\u00e1gio), e sob a sua evoca\u00e7\u00e3o formaram o\u00a0<em>Pel\u00e1gio<\/em>, aparentemente destinado a socorrer os peregrinos crist\u00e3os que iam e vinham de Santiago de Compostela venerar o t\u00famulo do Ap\u00f3stolo, motivo porque S\u00e3o Paio \u00e9 celebrado no dia imediato ao de S\u00e3o Tiago Maior, ou seja, 26 de Junho. A par disso, dedicavam-se \u00e0 guerra ao Isl\u00e3o \u2013 cuja resist\u00eancia e ofensiva foi iniciada por Pelaio (718-733), fundador do Reino das Ast\u00farias \u2013 abrindo caminho \u00e0 Reconquista e \u00e0 cristianiza\u00e7\u00e3o das vias celto-romanas tendo in\u00edcio ou fim na mesma cidade capital da Galiza<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[10]<\/a>. Por outro lado, o\u00a0<em>Pel\u00e1gio<\/em>\u00a0apresentava igualmente um aspecto cultural e inclusive herm\u00e9tico onde os saberes gn\u00f3stico, cabal\u00edstico e alqu\u00edmico das tr\u00eas grandes religi\u00f5es do Livro (judaica, crist\u00e3 e isl\u00e2mica) comungavam juntas da mesma demanda de realiza\u00e7\u00e3o espiritual, independente das conting\u00eancias temporais da geopol\u00edtica da \u00e9poca, motivo do\u00a0<em>Pel\u00e1gio<\/em>\u00a0ser igualmente sin\u00f3nimo de pressuposta exist\u00eancia de uma Ordem Inici\u00e1tica fechada ou secreta porventura na primazia da assist\u00eancia \u00e0 g\u00e9nese hist\u00f3rica e ao percurso evolutivo da Nacionalidade, desde a primeira hora posta sob a advoca\u00e7\u00e3o da Virgem Sant\u00edssima. Deste\u00a0<em>Pel\u00e1gio<\/em>\u00a0ter\u00e1 participado o cult\u00edssimo Ant\u00f3nio Augusto Carvalho Monteiro, ao observar-se a sua inclina\u00e7\u00e3o para a simbologia herm\u00e9tica em que n\u00e3o foi avaro na decora\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis que foram seus. Possivelmente os seus antecedentes beir\u00f5es, particularmente o seu pai, igualmente n\u00e3o seriam alheios ao\u00a0<em>Pel\u00e1gio<\/em>\u00a0espiritual que, a par do temporal, deu nome a fam\u00edlia portuguesa ligada aos Lusignan nacionais (<em>Sampaio de Luzignano<\/em>) e assim tamb\u00e9m ficou como top\u00f3nimo de v\u00e1rias localidades vizinhas de Lagos da Beira: S\u00e3o Paio de Grama\u00e7os, S\u00e3o Paio do Mondego, S\u00e3o Paio de Gouveia<a href=\"https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>TOPONIMIA<\/strong><\/p>\n<p>\u201cS. Pelayo\u201d, \u201cS. Payo,\u201d \u201cS. Pelagio\u201d, \u201cSampaio\u201d, &#8220;S. Paio&#8221; &#8211; de Garamaz, de Garam\u00e1cios, do Code\u00e7o, de Grama\u00e7os \u2013 s\u00e3o express\u00f5es que se considera designarem a mesma localidade.\u00a0O top\u00f3nimo Grama\u00e7os deriva de \u201cGarama\u00e7os\u201d, do latim \u201cGaramaz\u201d.<\/p>\n<p>Uma velha freguesia que desde o s\u00e9c.XVI se designada por S. Payo de Cod\u00easso. Pertenceu ao Concelho de Seia at\u00e9 1837, integrando o primitivo n\u00facleo das 9 freguesias de Concelho de Oliveira do Hospital, aquando da reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa do pa\u00eds feita em 1832-1843,\u00a0 (em documentos de natureza familiar na posse do Sr. Jo\u00e3o Soares, confirma-se que em julho de 1863 era julgado de Oliveira do Hospital).<\/p>\n<p>A freguesia era designada por S\u00e3o Paio do Code\u00e7o, ou do Cod\u00easso, nome gen\u00e9rico de v\u00e1rios arbustos leguminosos existentes na zona, do fim do s\u00e9c. XVI (1594) e at\u00e9 meados do s\u00e9c. XVII, como mostra os registos paroquiais do Arquivo da Universidade de Coimbra. Ser\u00e1 que os dois nomes eram usados? O arquivo passa depois a chamar a freguesia S. Paio de Grama\u00e7os. Mas oficialmente, s\u00f3 em 28 de Julho de 1919 passou a ter a atual denomina\u00e7\u00e3o, segundo consta, por interven\u00e7\u00e3o do Professor Doutor Ant\u00f3nio de Vasconcelos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">A PROP\u00d3SITO DA TOPON\u00cdMICA<\/span><\/strong><br \/>\nFernando Coelho a 23\/01\/2020, a prop\u00f3sito deste teme d\u00e1 o seguinte contributo in: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/385980901544787\/permalink\/1629100087232856\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/groups\/385980901544787\/permalink\/1629100087232856\/<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>Passando em revista \u201c s\u00e9culos \u201c de documentos, no que diz respeito a S. Paio, s\u00e3o referidos estes top\u00f3nimos \u201cS. Palayo. S. Payo. S. Pelagio, Sampaio, S. Payo do Code\u00e7o ou Codesso, S. Paio de Grama\u00e7os. \u201c De todos eles, aquele que mais gosto \u00e9 o de \u201c Sancto Pelagio \u201c utilziado pelos tabeli\u00e3es, h\u00e1 uns oitocentos anos. Leia-se a prop\u00f3sito este documento, cujo original est\u00e1 na Torre do Tombo: \u201c De sancto Pelagio. D Iohannis iuratus et Interrogatus de patronatu ecclesie de sancto Pelagio dixit quod Stephanus iohannis de Couvillana est patronus \u2026. etc.. e depois diz : \u201c Gunsaluus saluatoris dixit similer et debet facere regi f\u00f3rum sicut miles per forum de Sena.\u201d \u201cSancto Pelagio\u201d, foi assim que o tabeli\u00e3o designou a povoa\u00e7\u00e3o, dependia em simult\u00e2neo da tutela do senhor da Covilh\u00e3 e tamb\u00e9m do foro de Seia, para quest\u00f5es militares, jur\u00eddicas ou administrativas. Ent\u00e3o se a pequena aldeia se chamava \u201cSancto Pelagio\u201d porque raz\u00e3o se chama hoje S. Paio de Grama\u00e7os ? reportando-nos ao tempo do rei D, Afonso Henriques compreendemos alguma associa\u00e7\u00e3o dos dois top\u00f3nimos \u2013 mas nunca encontrei nenhum documento que referisse o conjunto \u201cS. Pelayo de Garamaz\u201d ( garamaz era uma palavra com o significado de terras relvadas). Se calhar, tive azar, \u00e9 que ainda n\u00e3o os li todos . No s\u00e9culo XVl, a localidade, chamou-se &#8211; \u201cS. Payo do Code\u00e7o\u201d ( code\u00e7o era um arbusto abundante, \u00e0 \u00e9poca). S\u00f3 a partir in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em 1919, a localidade \u00e9 referida pelo nome actual &#8211; \u201cS. Paio de Grama\u00e7os\u201d . A explica\u00e7\u00e3o encontra-se a novecentos anos de dist\u00e2ncia \u2013 o D. Chav\u00e3o, rico -homem, vivia em \u201c Garamaz \u201c ( Grama\u00e7os ) mas era padroeiro em S. Pelayo ( S. Paio ), aonde o seu filho, Jo\u00e3o Viegas, \u201cassentou arraiais\u201d- o dr. Henrique Lima, em Olisipo, concretiza, dizendo que este rico -homem viveu em S. Paio \u201c por 1131 a 1136,\u201d eis o extracto de nomea\u00e7\u00e3o : Ego Infans Domnus Yidefonsi filius Henrici et Taragie Regina filiam glorosiossimi Yldefonsi Rex \u2026 dono tibi illas \u2026.pro que sunt meos rebelles et intrarum in Sena \u2026ego Infante Domno Ildefonsi ad tibi Johanem Venegas.\u201d(Diss. Cron). O que \u00e9 isso de \u201cpadroeiro\u201d ? resumindo: o padroeiro e os seus herdeiros recebiam da par\u00f3quia &#8211; \u201c pousadia \u201c, \u201c comedoria\u201d, \u201c comedura \u201c, \u201ccolheita \u201c e \u201c jantar \u201c, bens para \u201ccasamento\u201d das filhas \u2013 \u201c tributos, para \u201c cavalaria \u201c dos filhos e para eventual \u201c cativeiro \u201c. Ora, no s\u00e9culo XX, a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, querendo provavelmente recordar o rico-homem , \u201cDonnus Thauaam\u201d ( D.Chav\u00e3o) ,residente em Grama\u00e7os e simultaneamente \u201cpadroeiro\u201d de S. Paio, teria aceitado acrescentar ao nome \u201c S. Paio\u201d o nome da outra aldeia &#8211; \u201cGrama\u00e7os\u201d. Assim nasceu o top\u00f3nimo pelo qual \u00e9 hoje conhecida a Povoa\u00e7\u00e3o: -\u201cS. Paio de Grama\u00e7os\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTECENDENTES DA TOPONIMIA (in:\u00a0https:\/\/lusophia.wordpress.com\/2016\/11\/17\/lagos-da-beira-e-a-familia-carvalho-monteiro-por-vitor-manuel-adriao\/) Conhecida por Ordem Soberana de Malta, nunca deixando de exercer a voca\u00e7\u00e3o hospitalar de socorro aos carecidos e doentes como virtude cardeal de caridade ou amor que foi o motivo da sua funda\u00e7\u00e3o em 1099, quando alguns crist\u00e3os mercadores de Amalfi fundaram em Jerusal\u00e9m, sob a Regra de S. 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