{"id":1247,"date":"2016-10-05T20:11:48","date_gmt":"2016-10-05T19:11:48","guid":{"rendered":"http:\/\/srlsampaense.com\/?page_id=1247"},"modified":"2021-06-27T10:41:53","modified_gmt":"2021-06-27T09:41:53","slug":"invasoes-francesas-guerra-civil-e-lutas-politicas","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/srlsampaense.com\/index.php\/invasoes-francesas-guerra-civil-e-lutas-politicas\/","title":{"rendered":"Invas\u00f5es Francesas, Guerra Civil e Lutas Pol\u00edticas"},"content":{"rendered":"<p><strong>INVAS\u00d5ES FRANCESAS, GUERRA CIVIL E LUTAS POL\u00cdTICAS<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Paio de Grama\u00e7os sofreu os efeitos da terceira Invas\u00e3o Francesa no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Durante a retirada para Espanha, os ex\u00e9rcitos franceses de Massena, permaneceram nesta localidade e espalharam o terror e a destrui\u00e7\u00e3o entre os seus habitantes.<br \/>\nPraticaram crimes contra uma popula\u00e7\u00e3o ordeira e indefesa. (in A 3.\u00aa Invas\u00e3o Francesa e as Terras de Concelho de Oliveira do Hospital, do Rev.\u00aa padre Laurindo M. Caetano). Conta o Pe Jos\u00e9 Joaquim Garcia Abranches, ent\u00e3o cura de S. Paio do Code\u00e7o, no seu relat\u00f3rio de 25 de Abril de 1811, que na retirada os soldados franceses permaneceram tr\u00eas dias e quatro noites durante os quais cometeram as maiores atrocidades, deixando a popula\u00e7\u00e3o na mis\u00e9ria. O mesmo sacerdote faz uma descri\u00e7\u00e3o minuciosa de todos os desacatos e crimes que passamos a sintetizar: sete mortos entre a popula\u00e7\u00e3o civil, onze feridos, sete casas incendiadas, das quais nada restou al\u00e9m das paredes; roubos de toda a ordem na igreja e fora dela, s\u00f3 tendo escapado as imagens nos seus lugares. Ainda hoje se podem ver vest\u00edgios do inc\u00eandio na Casa da Fam\u00edlia Vasconcelos, casa onde nasceu o Prof. Dr. Ant\u00f3nio Garcia Ribeiro de Vasconcelos.\u00a0Nada ficou isento, nem mesmo a Igreja Paroquial, despojada de quase tudo o que tinha de valor.<br \/>\nA freguesia tamb\u00e9m foi palco das violentas lutas entre Liberais e Absolutistas que se seguiram \u00e0 Guerra Civil de 1832-1834. Em 1840, um miguelista, Ant\u00f3nio da Costa, invadiu a casa de Jos\u00e9 Louren\u00e7o da Costa Fonseca e por pouco a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o terminou da pior forma.<\/p>\n<p><strong>LUTAS POL\u00cdTICAS &#8211; 1840<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Fernando Coelho (in:\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/fernandovasco.vasco?fref=gs&amp;dti=385980901544787&amp;hc_location=group_dialog , acedido a 25\/06\/2018) refere os seguintes factos:<\/p>\n<p>Era o tempo do presidente Joaquim Ribeiro do Amaral (n. 1814). Por 1840 recordo a grande investida da quadrilha Miguelista do \u201c Caca, a S. Paio. O prior Dion\u00edsio Garcia Ribeiro (1821-1866), defendeu com \u201c unhas e dentes \u201c a popula\u00e7\u00e3o e salvou a vida do bacharel Jos\u00e9 Louren\u00e7o da Fonseca e Costa, pai do ilustre jurista, professor de Coimbra e Homem de Cultura, dr. Louren\u00e7o Justiniano da Fonseca e Costa.( 1\u00aa matr\u00edcula data de 13.10.1853).<br \/>\nEra noite cerrada . O \u201cCaca\u201d, e seus c\u00famplices , sediados em Lagares, combinam, de v\u00e9spera, uma desloca\u00e7\u00e3o a S. Paio. A\u00ed, ao\u00a0que diziam, havia umas contas para ajustar. Pela manh\u00e3, juntos \u00e0 Povoa\u00e7\u00e3o, numa colina estrat\u00e9gica \u201cassentam arraiais\u201d. Sendo ainda dia, resolvem atacar e \u201cpelo caminho\u201d, v\u00e3o molestando e violando. O bacharel Costa Fonseca, para salvar a vida, tinha, em tempos, fornecido, ao bando, algumas quantias em dinheiro. Com a continua\u00e7\u00e3o da chantagem, resolveu este cidad\u00e3o \u201c fechar a torneira\u201d. O \u201cCaca\u201d e seus \u201c muchachos, como repres\u00e1lia, v\u00e3o \u00e0 resid\u00eancia daquele Sampaense, na qual, buscando abrigo, ali se tinha enclausurado. A agita\u00e7\u00e3o era grande. A barulheira enorme: Mulheres gritavam, donzelas recatavam-se, crian\u00e7as choravam, os c\u00e3es ladravam e os homens, subrepticiamente aproximavam-se de forquilhas, cajados e varapaus, na expectativa de lhes serem surripiados alguns porcos ou borregos. Emergindo da confus\u00e3o, o Prior Dion\u00edsio Garcia Ribeiro, foi acudir ao bacharel Jos\u00e9 Louren\u00e7o Costa Fonseca, que, at\u00e9 era seu padrinho. Aproximou-se tamb\u00e9m da contenda Jos\u00e9 Cupertino Garcia Ribeiro acompanhado de alguns volunt\u00e1rios dispostos a dar luta aos bandidos. O \u201cCaca\u201d e o seu bando iam-se aproximado da casa do bacharel Costa Fonseca, que acabaram por cercar. O ambiente tornou-se tenso e explosivo\u2026.e o tiroteio n\u00e3o se fez esperar. Os \u201cbacamartes\u201d disparavam em todos os sentidos. O barulho dos disparos era medonho, o cheiro a p\u00f3lvora intenso, e os resqu\u00edcios dos estragos das balas ficaram, por muito tempo, gravados nas paredes daquela resid\u00eancia. Do meio da balb\u00fardia, ergue-se uma mulher. Chamava-se Maria Abreu. Com um pau numa das m\u00e3os, corre \u00e0 Igreja, ultrapassa rapidamente a escadaria exterior, escala a parede da torre que d\u00e1 acesso aos sinos. A\u00ed, \u00e0 medida que incentivava os mais medrosos, tocava energicamente o sino a rebate. A popula\u00e7\u00e3o vai-se aglomerando junto ao adro da Igreja e depois \u201carmada\u201d com as suas alfaias agr\u00edcolas, mais umas facas e navalhas investe irasc\u00edvel contra os invasores. O Caca e seus apaniguados, fogem em retirada. Na fuga, perseguidos pela popula\u00e7\u00e3o deixam para traz um comparsa que havia sido ferido, de nome Joaquim Coimbra, que acabou por morrer \u201c\u00e0s m\u00e3os do Povo\u201d. O Prior Dion\u00edsio Ribeiro e um seu irm\u00e3o ficaram muito feridos na contenda. Aquele, pouco dado a \u201cfestivais b\u00e9licos\u201d, ficou altamente chocado e muito traumatizado. A popular Maria Abreu, a hero\u00edna deste triste evento, salvou, com a sua atitude corajosa, decerto, muitos dos seus conterr\u00e2neos. Continua ignorada. At\u00e9 quando?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INVAS\u00d5ES FRANCESAS, GUERRA CIVIL E LUTAS POL\u00cdTICAS S\u00e3o Paio de Grama\u00e7os sofreu os efeitos da terceira Invas\u00e3o Francesa no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Durante a retirada para Espanha, os ex\u00e9rcitos franceses de Massena, permaneceram nesta localidade e espalharam o terror e a destrui\u00e7\u00e3o entre os seus habitantes. 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