António de Vasconcelos referia in Correio de Coimbra nº 492, de 14/11/1931 (citado Arquivo da Universidade de Coimbra – António Vasconcelos Perpetuado nas páginas do “Correio de Coimbra” 1922-1941, 2020, p. 189)

O Prior, Rev.º Prior Dionísio Garcia Ribeiro, “Havendo tomado sobre os seus ombros a empresa de instruir e educar, tinha de visar o analfabetismo e dar-lhe luta sem tréguas. Empresa bem difícil, por ir contrariar o espírito rotineiro daquela gente, daqueles homens rudes, que não reconheciam nem necessidade, nem conveniência, para serem felizes, de saber ler e escrever; e que , por isso, não queriam que seus filhos tivessem tal e tão inútil prenda. O tempo, que haviam de desperdiçar na escola, melhor seria que o aproveitassem nos trabalhos agrícolas, ou no pastoreamento dos gados. Olhando para as gerações passadas, olhando para si próprios, observavam que seus avós, seus pais, e eles mesmos, sem ler nem escrever, foram e eram boas pessoas, vivendo bem e felizes no seu modesto meio.
Apenas na posse da igreja, o nóvel Prior logo numa casa sua, contígua ao quintal, que mediava entre ela e a sua residência, estabeleceu uma escola de primeiras letras, regida com toda a regularidade e mais escrupulosa exactidão, gratuitamente, por ele mesmo, sem auxílio de ninguém. Usou de toda a sua autoridade moral para conseguir que essa escola fosse frequentada por todos os rapazes da freguesia, de idade de 7 a 15 anos, e conseguiu-o, com alguma raríssima exceção. Parece um milagre, tão extraordinário sucesso. Ninguém se recusava a mandar os seus filhos à escola.
Ali, o bom Prior, mantendo uma disciplina rigorosa, embora paternal, não só ensina a ler, escrever e contar, mas também ensinava os deveres físicos, sociais e religiosos. A higiene não escapava, e de dias a dias era cuidadosamente inspecionado o estado de limpeza das orelhas, das unhas, da cara e mãos, etc. Assim eram educados aqueles bichinhos do mato, e transformados em homens educados e civilizados.
Como a maior parte da população escolar era de gente pobre, ou de poucos meios, o Professor fornecia-lhes gratuitamente o papel, livros, tinta, lápis e todo o material necessário; não lhes fornecia porém canetas nem bicos para escrever, mas, em compensação, ensinava-os a economizar essa despesa dando-lhes lições práticas para apararem com perfeição penas de pato, colhidas em qualquer capoeira, com as quais escrevia habitualmente, e os ensinava a escrever. E que bem saíam as letras, traçadas com tais penas!”
Quando saiu da freguesia em fevereiro de 1869 (18 anos depois), o analfabetismo não existia na parte da população que contava entre 10 e 30 anos. De entre os seus alunos destaca-se o seu sobrinho Professor Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos e o Padre-mestre de Oliveira do Hospital António Quaresma Caldeira, que seguiu um importante carreira literária.

A saída do Prior, Rev.º Prior Dionísio Garcia Ribeiro, aconteceu por sua iniciativa, apesar do enorme sacrifício de se desligar do seu rebanho e da família, devido ao seu projeto pessoal de acompanhar e guiar e educação do seu sobrinho António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, em Coimbra.

  • Requereu em concurso a igreja paroquial de S. Martinho do Bispo (1869)
  • Nomeado Arcipreste de Cernache, por provisão Episcopal de 12/11/1875
  • Vigário-Geral da Diocese de Seia, por decreto régio de 15/12/1881
  • Vigário-Geral da Diocese de Coimbra, por decreto de 16/03/1882 (tomou posse a 14/10/1882)
  • Faleceu a 12/11/1886